• Brunno Falcão

Como identificar um bom artigo científico


Vivemos uma época em que somos inundados por informações errôneas e que são um desserviço para o aprendizado da população. Isto está presente na economia, nas políticas sociais e também na área da saúde. Ademais, sendo a ciência um direito de todos, é imprescindível sabermos como identificar um bom trabalho científico e a maneira como interpretar e disseminar os dados. Confira algumas dicas de como identificar um bom artigo científico (Leia o artigo – Artigo científico e os modelos de pesquisa).

1º Dica – Atente-se aos Títulos 

Devemos entender que a ciência também tem interesses “supra profissionais”, portanto alguns autores buscam vender seus peixes a partir do título de pesquisas, agregando um cabeçalho sensacionalista, dando uma falsa, ou extrapolada, afirmação sobre o trabalho, coisas do tipo: “Encontrou-se a cura do câncer em uma pílula” ou “O suplemento que não pode faltar para o atleta de elite”.

2º Dica – Resultados

Alguns periódicos/jornais podem possuir um baixo fator de impacto e não atentar-se ao tratamento de dados, o que pode gerar uma má interpretação dos resultados obtidos. Este erro pode não ser feito por malícia, mas sim pouco estudado, portanto a mensagem é para que você não acredite no desfecho dos dados, mas que forme sua própria opinião. Por exemplo, quando um artigo diz que determinada dieta diminuiu o peso de atletas, e que isso gerou um benefício para o desempenho deles, em um primeiro momento você pode acreditar, mas olhe com cuidado se os autores avaliaram se essa perda de peso era de gordura, de músculo ou ambos. Esta maneira de pensar é aplicável para diversas áreas do conhecimento.

3º Dica – Conflitos de Interesse

Se me permitem uma opinião pessoal este é um dos pontos mais importantes deste texto. Muitas pesquisas possuem um viés motivador ou são financiadas por alguma empresa. Geralmente nas últimas linhas do artigo é possível identificar “Conflitos de interesse” e ali está uma instituição que financiou o estudo ou que forneceu alguma substância para que a pesquisa fosse viabilizada. Vamos supor que o estudo seja sobre café e quem forneceu as bebidas foi a “Brasil Café”, claro que isto não invalida a pesquisa, mas você já deve ler com uma pulga atrás da orelha. Vale lembrar que muitas vezes esses conflitos podem estar disfarçados, como por exemplo algum dos autores ser dono de alguma empresa de suplementos ou ter alguma relação indireta com a indústria.

4º Dica – Amostra

O número amostral refere-se a quantidade de voluntários ou animais que foram utilizados para determinada pesquisa, geralmente estará descrito por “n=X”, e é claro que quando queremos testar alguma substância, intervenção medicamentosa ou alimentar não queremos números pequenos como 5 ou 6 voluntários. Neste caso podemos afirmar que quanto mais, melhor. Um número amostral maior nos permite ver uma variabilidade de resultados e efeitos, além de ser importante para um tratamento estatístico mais fiel. 

Além do próprio número amostral precisamos buscar sempre populações mais homogêneas e com critérios de inclusão bem estabelecidos. Na maioria das vezes é mais interessante um trabalho que diga “Mulheres, durante a pós menopausa, acima de 50 anos, sem doenças cardiovasculares” do que algum que apenas descreva a população como “homens adultos”. 

5º Dica –  Metodologia

Em ensaios clínicos é muito importante ter um grupo controle para comparar com o grupo que participou da intervenção. Vamos pensar sobre um estudo que avaliou a efetividade de uma substância para melhorar o foco e que a metodologia utilizada foi um questionário para indicar se os voluntários se sentiram mais focados ou não, e o resultado foi positivo. No entanto, neste estudo hipotético não havia um grupo controle ou placebo, portanto não temos como afirmar que aquela substância realmente melhorou o foco ou se foi oriundo de uma causalidade ou do próprio efeito placebo de ingerir uma cápsula.

Assim sendo, sempre opte por estudos controlados por placebo, ou se for no caso de performance que tenha tanto um grupo placebo quanto um grupo controle (sem administração de nenhuma substância) e que seja duplo-cego, isto é, nem o voluntário e nem o pesquisador sabem o que o indivíduo está tomando, para que isto não gere nenhuma influência pessoal nos resultados. 

Para se aprofundar:

TED Talk – Battling Bad Science com Ben Goldacre

MediCareful Living – How to Identify Bad Science

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