• Brunno Falcão

Suplementos Tamponantes na Prática Clínica


É difundido na literatura que o fator principal para a ocorrência da fadiga muscular periférica durante o exercício físico de alta intensidade, é o acúmulo de íons H+ no músculo esquelético. Tal condição acarreta na acidose metabólica. Por consequência, na lentificação de enzimas essenciais para a geração dos substratos energéticos, como a glicogênio fosforilase e a fosfofrutoquinase-1 (PFK-1). Além de que, tais íons podem competir com os íons cálcio pelo sítio de ligação da troponina, prejudicando assim a capacidade contrátil muscular.

Para atenuar esse cenário, é necessário que haja o tamponamento intra e extracelular. Ou seja, a alcalinização do meio a partir da neutralização ou remoção do H+.  Com esse intuito, alguns suplementos tamponantes  dispõem de evidências científicas robustas e podem assim, serem prescritos na prática clínica. Desse modo, esses recursos podem ser recomendados para praticantes de atividades de alta intensidade, quando há a devida autorização pelos órgãos competentes.

Bicarbonato de sódio

Com o intuito de haja o tamponamento extracelular dos íons H+, o bicarbonato de sódio pode ser administrado. O mesmo funciona a partir da elevação do pH plasmático. Desse modo, haja o efluxo de lactato e H+ do músculo esquelético para a corrente sanguínea, por gradiente de concentração. Após o efluxo para fora da célula, o lactato pode ir para o fígado e ser aproveitado para a gliconeogênese (síntese de glicose a partir de não carboidratos). No que se refere ao H+, será tamponado pelo bicarbonato de sódio e convertido em ácido carbônico para sua devida neutralização. Na prática, a ciência aponta que o seu uso deve ser agudo, com doses entre 0,2 – 0,4 g/kg, e de 30 – 180 minutos antes do exercício. Contudo, podem ser observados severos desconfortos gastrointestinais no atleta e uma certa dificuldade do mesmo na aderência ao suplemento. Isso pode ocorrer pelo fato de que normalmente é necessário um alto número de cápsulas para tal, fazendo com o que seu potencial ergogênico seja limitado.

Beta-alanina

Já no momento em que almeja-se o tamponamento de íons H+ intracelular, a beta-alanina (BA) é um aminoácido no qual quando consumido, uma pequena parcela alcança o músculo esquelético. Tal mecanismo pode ser verificado através da ação de uma enzima chamada carnosina sintase. Sua função é catalisar a BA juntamente ao aminoácido L-histidina, para a formação do dipeptídeo Carnosina, dentro do músculo esquelético (Leia o artigo – As propriedades ergogênicas da suplementação de beta-alanina). A L-histidina, possui um anel chamado anel-imidazol que é um aceptor de H+. Porém, no momento em que ocorre a formação da carnosina, tal efeito desse anel é potencializado, trabalhando assim como um tamponador intracelular. Desse modo, como a L-histidina já está presente em altas quantidades no músculo esquelético e seu anel apresenta baixo potencial tamponante quando não disposto na forma de carnosina, a beta-alanina é um fator limitante para a síntese de carnosina. Por consequência, o tamponamento intracelular pode ser melhorado.

No que se refere a prática clínica da beta-alanina, sua livre comercialização no Brasil ainda não é permitida pelos órgão competentes para tal.  Contudo, estudos indicam que seu uso deve ser crônico (4 – 24 semanas), com doses entre 3,2 – 6,4 g/kg/dia, que pode ser fracionada em 0,8 – 1,6 g/kg a cada 2 – 4 horas. Sendo feita deste modo, pode haver a redução de possíveis efeitos colaterais como a parestesia. 

Para leitura mais aprofundada no assunto, segue a sugestão de leitura:

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